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AS CARAS, BOCAS & MALÍCIAS DE DITA VON TEESE

Ela não foi apenas a mulher do músico Marilyn Manson nem uma mera dançarina exótica. É ela que ensina as mulheres a pôr de lado os chinelos e a apertar os espartilhos da elegância.
Fetichista assumida, Dita Von Teese é responsável pela reinvenção da estética pin-up dos anos 40 e 50 e do termo «burlesco» associado à arte ancestral do strip-tease, protagonista de espectáculos que incluem banho num copo de Martini gigante.
O livro duplo Burlesque and the Art of Teese/Fetish and the Art of Teese é o testemunho ilustrado de uma sex symbol de luxo.

Nas primeiras páginas do lado «Fetish» do livro, supõe que o leitor seja «uma rapariga que adora espartilhos de cetim preto bem apertados, ou um rapaz que ama uma rapariga que gosta de emoções fortes».
Pode então concluir-se que este livro se dirige às mulheres… Mas tem consciência de que muitas mulheres o consideram um livro para homens?
Sim. Mas o meu site era originalmente dirigido aos homens e agora 70 por cento dos membros são mulheres. O site, o livro e os meus espectáculos burlescos dirigem- -se a quem gostar deles, sejam homens ou mulheres.
Não faço nada com o intuito de atrair um determinado público; faço porque gosto.


E, no entanto, as mulheres são as primeiras a criticá-la publicamente no ciberespaço – algumas sentem-se pouco confortáveis com a forma como expõe o seu poder feminino Porque é que acha que isso acontece?
Não penso que isso aconteça; na verdade, tenho mais fãs mulheres do que homens. Tenho consciência de que sou criticada pelas pessoas, homens e mulheres, e isso acontece porque todos têm o direito de dar a sua opinião e ninguém está livre de críticas: estrelas de rock, actores, estrelas porno, advogados, políticos… toda a gente. Aliás, muita gente critica os jornalistas. Não podemos agradar sempre a todos, resta-nos fazer o que gostamos e mantermo-nos fiéis aos nossos princípios – e é isso que faço. A minha função não é fazer com que as pessoas se sintam «confortáveis». Sou uma entertainer e não espero que todos gostem ou concordem com o que faço.

Publicou recentemente um artigo na Cosmopolitan em que dizia «não há nada mais sexy do que seres tu mesma». Como é que esta ideia se coaduna com o recurso cada vez mais obsessivo às cirurgias plásticas?
Acredito que as pessoas têm o direito de ser quem quiserem – e se isso passar pela cirurgia plástica, que existe há mais de um século, devem fazê-la e não devem sentir- -se mal por isso. É sexy seres tu mesma, no sentido em que é sexy seres quem quiseres e aceitares aquilo que te difere dos outros. Podes usar as roupas que TU quiseres, pintar o cabelo da cor que TU quiseres, maquilhar-te da maneira que TU quiseres – é isso a que chamo «seres tu mesma». Não andamos por aí nus como viemos ao mundo, não é? Podemos escolher a forma como queremos que o mundo nos veja. A cirurgia plástica é uma forma de maquilhagem mais dramática e radical. Ninguém está em posição de fazer juízos acerca dessa opção.

No livro, dáuma série de conselhos sobre como tirar o máximo partido do poder feminino usando corpetes e saltos altos, por exemplo. A minha questão é: se não há de facto nada mais sexy do que ser eu mesma, mas não consigo usar saltos sem torcer um pé… alguma vez poderei ser sexy?

Sim! O meu livro não é um guia para ensinar a ser sexy de uma forma geral, mas para ensinar a ser sexy à minha maneira! Defendo o glamour porque o adoro – então, por que havia de apregoar o uso de ténis? Deve haver uma pilha de livros sobre como ser-se sexy de outras formas, mas este é o MEU livro e é baseado na minha estética. Quanto a seres feminina e elegante sem usares saltos altos, aconselho-te um par de sabrinas ou saltos de cunha.

Muitas mulheres preferem o conforto à elegância dolorosa de um espartilho. A sensualidade requer sacrifício… ou uma certa predisposição para o masoquismo?

A mensagem do meu livro é: é bom ser-se diferente e abraçar o glamour e a arte de bem vestir, é bom celebrar-se a feminilidade. Não tem nada a ver com o sofrimento. Nos anos 30 e 40, as mulheres não sofriam pelo glamour e vestiam-se de forma elegante. As roupas dessa época não eram desconfortáveis. E, para mim, um vestido é mais confortável do que um par de calças de ganga. Mesmo antes, quando as roupas eram mais rigorosas e menos flexíveis, as mulheres não eram as únicas a usar saltos e espartilhos – os homens também se vestiam assim. E com corpetes apertados, perucas e todas as coisas que supostamente impediriam as mulheres de se sentir fisicamente confortáveis.

Diz que «os seres humanos são perversos» e o livro revela as suas perversões de uma forma muito saudável. O mundo seria melhor se toda a humanidade assumisse as suas perversões?

Acho que sim. Tenho pena das pessoas que não conseguem exprimir os seus desejos livremente com receio de serem julgadas.

Diz ainda que gosta de saber os segredos dos outros, mas que «uma senhora nunca revela tudo». Mas será que nos pode revelar se tem «bad hair days», se há alturas em que se olha ao espelho e não gosta do que vê, se usa t-shirts de vez em quando?
Sim, tenho «bad hair days» como toda a gente – mas, nesses dias, puxo o meu cabelo atrás e faço um carrapito chique. Adoro a arte da maquilhagem e dos penteados… o glamour é mais do que a beleza. Podemos não nascer naturalmente bonitos, mas podemos criar glamour e elegância. E sim, uso uma pequena t-shirt chique com uma saia de algodão ao estilo dos anos 50 e sabrinas. Mas não sou miúda para usar t-shirt e calças de ganga – não joga com as minhas formas nem com o meu estilo pessoal.


Há alguns anos, a Playboy recusou fotografá-la alegando que não era do tipo «miúda do lado». A verdade é que muitos homens fantasiam com raparigas normais e há cada vez mais sites de pornografia amadora. Perante isto, qual será o futuro do glamour?

É ótimo que haja algo para todos os gostos! Para mim, o glamour não é para os homens, é para mim. No que se refere à Playboy, fui rejeitada ao início, mas acabei por aparecer na capa – por isso, ainda bem que não mudei de acordo com a norma. O futuro do glamour é brilhante. pesquisa – Comunidade Moda

Se, no contexto do fetichismo, é verdade que «a submissão feminina é o último estereótipo que precisa de ser ultrapassado», acha que os movimentos feministas contribuíram de forma negativa para a criação desse estereótipo?
Não sei muito acerca dos movimentos feministas, limitei-me a escrever um livro leve. O que há de errado com a aceitação da feminilidade em vez da sua rejeição? A definição de feminista é: alguém que luta pela igualdade entre ambos os sexos. E isso não tem nada a ver com o que faço enquanto entertainer.





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